sexta-feira, 27 de março de 2015

Angola, o país do futuro

Este texto de Nicholas Kristof, e publicado no The New Yorkn Times, devia fazer corar de vergonha todos os portugueses, pelo facto de permitirem que a sua classe politica seja conivente com os criminosos que se apoderaram de Angola. Se foi para isto que eles lutaram pela independência, se calhar teria sido melhor terem deixado as coisas como estavam. E isto não é saudodismo colonial, não! Bem, se formos a analisar friamente, em Portugal já se vislumbra o mesmo, embora em doses "civilizadas". Ou será que os portugueses, seguindo o belo exemplo das suas "elites" tambem já não têm vergonha nas trombas?

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Machete: mais uma múmia fora do sarcófago. Já não bastava o Cavaco!



Em aditamento ao júbilo do governo pela nomeação de Portugal para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, vem esta pérola do ministro dos Negócios Estrangeiros. Isto diz muito sobre o que pensa a direita que nos desgoverna. É verdade que, enquanto povo, fomos e somos pecadores, mas os nossos pecados não são suficientes para merecermos tamanha pena.

Gostei de ler!

domingo, 9 de novembro de 2014

Inacreditavel

Se querem ver um exercício puro de revisionismo, taquanhez e insulto à inteligência, por favor, leiam isto. É este o PCP das "politicas de esquerda" e das soluções para o país. Há muita gente que de facto parou no tempo e não quer ver o mundo como era. Esta malta da Soeiro Pereira Gomes bem pode juntar-se aos nostalgicos de Salazar. Esão bem uns para os outros.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Na mouche

"Ricardo Salgado a Presidente

Não há grande diferença entre escolher Junckers para presidente da Comissão Europeia ou designar Ricardo Salgado como presidente do BCE, tanto um como o outro geriram o que tinham a gerir com base em vigarices e pouco se importando com as consequências e vítimas dos seus actos de gestão oportunista.
  
É ridículo que um político que ajudou empresas a prejudicar outros países e cidadãos europeus a troco de benefícios fiscais para o seu país tenha sido presidente do Eurogrupo e depois promovido presidente da Comissão Europeia. Aquele que pagava boas pensões de reforma à custa do desvio de receitas fiscais de outros Estados-membros da EU estava o Eurogrupo a exigir que cortassem nos pensionistas de outros países para compensar os desequilíbrios orçamentais.
  
Este é o espectáculo degradante da Europa da senhora Merkel, do Durão Barroso e do Junckers, uma Europa sem valores, gerida por oportunistas e com base num discurso miserável onde a competitividade é conseguida através de vigarices. E não vale a pena dizerem que foram surpreendidos, todos sabiam e há muito que alguns países europeus são oportunistas.
  
Por coincidência o Eurogrupo é agora presidido por um holandês, o ministro das finanças de um país que se tem dedicado a desviar empresas de outros Estados-membros a troco de vantagens fiscais. Além disso, conta ainda com o porto de Roterdão, um porto que toda a Europa sabe que permite facilidades muito para além do admitido, sendo um verdadeiro buraco.
  
Muito do progresso de países como a Holanda e o Luxemburgo é conseguido à custa do prejuízo que as suas manobras mafiosas provocam aos parceiros comunitários e os governantes destes países oportunistas estão entre os mais fundamentalistas nos ataques aos países do Sul da Europa.
  
Faz tanto sentido a Europa ter Junckers à frente da Comissão Europeia como faria escolher Ricardo Salgado para liderar o banco Central Europeu. Até ficava tudo entre amigos e família pois Ricardo Salgado foi o principal mecenas de Durão Barroso.
  
PS: é uma pena que o imbecil não brinque com a taxas e taxinhas do Luxemburgo ou da Holanda com o mesmo ar de canalha idiota com que gozou de forma pouco digna com António Costa. Fazia mais sentido e gabava-lhe a coragem, já que quanto ao humor é duvidoso e apenas revela que o brilhante senhor do CDS não passa de um apalermado."

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mais uma dos estarolas

O Montenegro disse: " O País está bem, o povo é que não". Qual o país que possa estar bem, com um povo empobrecido e sem futuro? Um país com taxas de desemprego altas como a nossa, como pode estar muito bem, segundo o que dizem os estarolas?
Vejam esta notícia do Publico de 28OUT14:

 

"O banco até já esteve a ameaçar os meus pais que ia tirar a casa”


"Unicef aconselha Governo a criar uma estratégia nacional de combate à pobreza infantil e recomenda acesso gratuito às creches dos 0 aos três anos de idade para as famílias mais pobres.




Há medo de perder a casa, preocupação face à tensão em que sentem os pais, receio de que a comida desapareça da mesa. Além de mostrar que os casais desempregados aumentaram 688%, só entre Outubro de 2010 e Julho de 2013, o relatório da Unicef intitulado As Crianças e a Crise em Portugal é o primeiro a debruçar-se sobre o real impacto da crise entre as crianças e os adolescentes portugueses.

Ao dar-lhes a voz, o documento divulgado esta segunda-feira levanta o véu sobre uma realidade demasiadas vezes escondida entre quatro paredes. “Quando a senhora dizia o preço dos remédios, o meu pai ficava assustado, porque eram muito caros e eram imensas coisas”, conta uma adolescente de 12 anos, uma entre as 77 crianças, com idades entre os 8 e os 17 anos, que foram ouvidas no âmbito neste relatório e de onde emanam recomendações como a criação de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza infantil. “Quando não há comida, os meus pais fazem isto: deixam de comer para nos dar à gente”, conta, por seu turno, um miúdo de 14 anos, pai desempregado. “A minha avó foi com a gente às compras e ela pagou as compras duma semana e coisas assim”, outro adolescente, 16 anos.
No relatório lêem-se ainda frases assim: “Alguns [colegas da escola] não devem comer muito, ou mesmo, não devem ter refeições (…). Eles não contam, mas dá para reparar.” E ainda: “A minha mãe ficou sem trabalho (…). Ela tirou-me da natação, da ginástica, da música (…) do inglês.” E há o caso do miúdo de 9 anos, mãe desempregada, que relata: “O banco até já esteve a ameaçar os meus pais que ia tirar a casa.”
Estes relatos remetem-nos para as consequências práticas e quotidianas de vários anos de desinvestimento nas políticas públicas de apoio à família, como constata o estudo encomendado a uma equipa de investigadoras do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, coordenado pelas investigadoras Karin Wall e Ana Nunes de Almeida e que mostra como a crise está a repercutir-se na vida das crianças, “com consequências a médio e longo prazo”.
“A partir de 2010, a situação económica e financeira de Portugal agravou-se com a adopção de um conjunto de medidas de austeridade que tiveram e continuam a ter repercussões directas no bem-estar das crianças a nível da saúde, da educação e dos apoios sociais do Estado às famílias, especialmente às mais carenciadas”, escrevem as autoras do relatório, sublinhando que “a elevada taxa de desemprego” gera “não só situações de carência económica grave, mas também de elevada instabilidade emocional e psicológica que afectam as vivências das crianças”.   
O diagnóstico relativo a 2012 mostra-nos que nesse ano havia 678 mil pessoas em situação de incumprimento face a dívidas contraídas. E, desde então, continua a aumentar “a taxa de privação das famílias com crianças em situação de pobreza relativamente à capacidade para pagar dívidas, empréstimos, rendas, contas e despesas imprevistas, assim como a possibilidade de ter um carro”.
Casais desempregados aumentam 688%
O retrato em números mostra-nos que, em 2011, havia 560 mil crianças em risco de pobreza e exclusão social. “Cerca de uma em cada três crianças (28,6%) encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social”, precisa o relatório, para sublinhar ainda que 21,8% das crianças viviam “em agregados com rendimentos per capita inferiores a 416 euros por mês”.

Se considerássemos o risco de pobreza antes das transferências sociais (subsídios, pensões, abonos de família…), teríamos 33% das crianças em situação de vulnerabilidade económica. Nas famílias numerosas (três ou mais crianças) e monoparentais, o risco de pobreza cresce para 31% e 41%, respectivamente. E nas famílias monoparentais – os Censos 2011 mostravam que estas perfaziam 14,9% do total de famílias –, em que a figura parental fica desempregada, o risco de pobreza sobe para os 90%.
O desemprego é assim meio caminho andado para a pobreza. Nas famílias de casais com filhos em que um dos adultos está desempregado, o risco de pobreza atingia uns expressivos 34,3%. E se os dois adultos ficarem desempregados, o risco de pobreza sobe para 53,2% – mais de metade, portanto. Lembremo-nos agora que, em 2011, eram cerca de 723 mil os adultos desempregados com crianças a seu cargo. Não surpreende assim a conclusão de que, naquele mesmo ano, mais de um quarto das crianças portuguesas (25,2%) estivesse em privação material.
E a situação piorou, entretanto. Entre Outubro de 2010 e Junho de 2013, o número de casais desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou mais de 688%: de 1530 para 12.065. Em Fevereiro de 2013, havia 26.374 indivíduos a viver em casal em que ambos os cônjuges estavam desempregados. Daqueles, apenas 5602, ou seja, cerca de um quinto, tinham direito à majoração de 10% no subsídio de desemprego. “O stress causado pela falta de dinheiro e a incerteza em relação ao futuro afecta não só o relacionamento entre o casal, mas também o relacionamento entre pais e filhos, que, em casos extremos, poderá levar a situações de negligência ou mesmo de violência”, alerta o relatório."

Natália Faria, Publico de 28OUT14