Em aditamento ao júbilo do governo pela nomeação de
Portugal para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, vem esta pérola do
ministro dos Negócios Estrangeiros. Isto diz muito sobre o que pensa a direita
que nos desgoverna. É verdade que, enquanto povo, fomos e somos pecadores, mas
os nossos pecados não são suficientes para merecermos tamanha pena.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
Inacreditavel
Se querem ver um exercício puro de revisionismo, taquanhez e insulto à inteligência, por favor, leiam isto. É este o PCP das "politicas de esquerda" e das soluções para o país. Há muita gente que de facto parou no tempo e não quer ver o mundo como era. Esta malta da Soeiro Pereira Gomes bem pode juntar-se aos nostalgicos de Salazar. Esão bem uns para os outros.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Na mouche
"Ricardo Salgado a Presidente
Não há grande diferença entre escolher Junckers para presidente da Comissão Europeia ou designar Ricardo Salgado como presidente do BCE, tanto um como o outro geriram o que tinham a gerir com base em vigarices e pouco se importando com as consequências e vítimas dos seus actos de gestão oportunista.
Não há grande diferença entre escolher Junckers para presidente da Comissão Europeia ou designar Ricardo Salgado como presidente do BCE, tanto um como o outro geriram o que tinham a gerir com base em vigarices e pouco se importando com as consequências e vítimas dos seus actos de gestão oportunista.
É ridículo que um político que ajudou empresas a prejudicar outros
países e cidadãos europeus a troco de benefícios fiscais para o seu país
tenha sido presidente do Eurogrupo e depois promovido presidente da
Comissão Europeia. Aquele que pagava boas pensões de reforma à custa do
desvio de receitas fiscais de outros Estados-membros da EU estava o
Eurogrupo a exigir que cortassem nos pensionistas de outros países para
compensar os desequilíbrios orçamentais.
Este é o espectáculo degradante da Europa da senhora Merkel, do Durão
Barroso e do Junckers, uma Europa sem valores, gerida por oportunistas e
com base num discurso miserável onde a competitividade é conseguida
através de vigarices. E não vale a pena dizerem que foram surpreendidos,
todos sabiam e há muito que alguns países europeus são oportunistas.
Por coincidência o Eurogrupo é agora presidido por um holandês, o
ministro das finanças de um país que se tem dedicado a desviar empresas
de outros Estados-membros a troco de vantagens fiscais. Além disso,
conta ainda com o porto de Roterdão, um porto que toda a Europa sabe que
permite facilidades muito para além do admitido, sendo um verdadeiro
buraco.
Muito do progresso de países como a Holanda e o Luxemburgo é conseguido à
custa do prejuízo que as suas manobras mafiosas provocam aos parceiros
comunitários e os governantes destes países oportunistas estão entre os
mais fundamentalistas nos ataques aos países do Sul da Europa.
Faz tanto sentido a Europa ter Junckers à frente da Comissão Europeia
como faria escolher Ricardo Salgado para liderar o banco Central
Europeu. Até ficava tudo entre amigos e família pois Ricardo Salgado foi
o principal mecenas de Durão Barroso.
PS: é uma pena que o imbecil não brinque com a taxas e taxinhas do
Luxemburgo ou da Holanda com o mesmo ar de canalha idiota com que gozou
de forma pouco digna com António Costa. Fazia mais sentido e gabava-lhe a
coragem, já que quanto ao humor é duvidoso e apenas revela que o
brilhante senhor do CDS não passa de um apalermado."
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Mais uma dos estarolas
O Montenegro disse: " O País está bem, o povo é que não". Qual o país que possa estar bem, com um povo empobrecido e sem futuro? Um país com taxas de desemprego altas como a nossa, como pode estar muito bem, segundo o que dizem os estarolas?
Vejam esta notícia do Publico de 28OUT14:
"O banco até já esteve a ameaçar os meus pais que ia tirar a casa”
"Unicef aconselha Governo a criar uma estratégia nacional de combate à pobreza infantil e recomenda acesso gratuito às creches dos 0 aos três anos de idade para as famílias mais pobres.
Há medo de perder a casa, preocupação face à tensão em que sentem os pais, receio de que a comida desapareça da mesa. Além de mostrar que os casais desempregados aumentaram 688%, só entre Outubro de 2010 e Julho de 2013, o relatório da Unicef intitulado As Crianças e a Crise em Portugal é o primeiro a debruçar-se sobre o real impacto da crise entre as crianças e os adolescentes portugueses.
Ao dar-lhes
a voz, o documento divulgado esta segunda-feira levanta o véu sobre uma
realidade demasiadas vezes escondida entre quatro paredes. “Quando a
senhora dizia o preço dos remédios, o meu pai ficava assustado, porque eram
muito caros e eram imensas coisas”, conta uma adolescente de 12 anos, uma entre
as 77 crianças, com idades entre os 8 e os 17 anos, que foram ouvidas no âmbito
neste relatório e de onde emanam recomendações como a criação de uma estratégia
nacional para a erradicação da pobreza infantil. “Quando não há comida, os meus
pais fazem isto: deixam de comer para nos dar à gente”, conta, por seu turno,
um miúdo de 14 anos, pai desempregado. “A minha avó foi com a gente às compras
e ela pagou as compras duma semana e coisas assim”, outro adolescente, 16 anos.
No relatório lêem-se ainda frases
assim: “Alguns [colegas da escola] não devem comer muito, ou mesmo, não devem
ter refeições (…). Eles não contam, mas dá para reparar.” E ainda: “A minha mãe
ficou sem trabalho (…). Ela tirou-me da natação, da ginástica, da música (…) do
inglês.” E há o caso do miúdo de 9 anos, mãe desempregada, que relata: “O banco
até já esteve a ameaçar os meus pais que ia tirar a casa.”Estes relatos remetem-nos para as consequências práticas e quotidianas de vários anos de desinvestimento nas políticas públicas de apoio à família, como constata o estudo encomendado a uma equipa de investigadoras do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, coordenado pelas investigadoras Karin Wall e Ana Nunes de Almeida e que mostra como a crise está a repercutir-se na vida das crianças, “com consequências a médio e longo prazo”.
“A partir de 2010, a situação económica e financeira de Portugal agravou-se com a adopção de um conjunto de medidas de austeridade que tiveram e continuam a ter repercussões directas no bem-estar das crianças a nível da saúde, da educação e dos apoios sociais do Estado às famílias, especialmente às mais carenciadas”, escrevem as autoras do relatório, sublinhando que “a elevada taxa de desemprego” gera “não só situações de carência económica grave, mas também de elevada instabilidade emocional e psicológica que afectam as vivências das crianças”.
O diagnóstico relativo a 2012 mostra-nos que nesse ano havia 678 mil pessoas em situação de incumprimento face a dívidas contraídas. E, desde então, continua a aumentar “a taxa de privação das famílias com crianças em situação de pobreza relativamente à capacidade para pagar dívidas, empréstimos, rendas, contas e despesas imprevistas, assim como a possibilidade de ter um carro”.
Casais desempregados aumentam 688%
O retrato em números mostra-nos que, em 2011, havia 560 mil crianças em risco de pobreza e exclusão social. “Cerca de uma em cada três crianças (28,6%) encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social”, precisa o relatório, para sublinhar ainda que 21,8% das crianças viviam “em agregados com rendimentos per capita inferiores a 416 euros por mês”.
Se considerássemos o risco de pobreza antes das transferências sociais (subsídios, pensões, abonos de família…), teríamos 33% das crianças em situação de vulnerabilidade económica. Nas famílias numerosas (três ou mais crianças) e monoparentais, o risco de pobreza cresce para 31% e 41%, respectivamente. E nas famílias monoparentais – os Censos 2011 mostravam que estas perfaziam 14,9% do total de famílias –, em que a figura parental fica desempregada, o risco de pobreza sobe para os 90%.
O desemprego é assim meio caminho andado para a pobreza. Nas famílias de casais com filhos em que um dos adultos está desempregado, o risco de pobreza atingia uns expressivos 34,3%. E se os dois adultos ficarem desempregados, o risco de pobreza sobe para 53,2% – mais de metade, portanto. Lembremo-nos agora que, em 2011, eram cerca de 723 mil os adultos desempregados com crianças a seu cargo. Não surpreende assim a conclusão de que, naquele mesmo ano, mais de um quarto das crianças portuguesas (25,2%) estivesse em privação material.
E a situação piorou, entretanto. Entre Outubro de 2010 e Junho de 2013, o número de casais desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou mais de 688%: de 1530 para 12.065. Em Fevereiro de 2013, havia 26.374 indivíduos a viver em casal em que ambos os cônjuges estavam desempregados. Daqueles, apenas 5602, ou seja, cerca de um quinto, tinham direito à majoração de 10% no subsídio de desemprego. “O stress causado pela falta de dinheiro e a incerteza em relação ao futuro afecta não só o relacionamento entre o casal, mas também o relacionamento entre pais e filhos, que, em casos extremos, poderá levar a situações de negligência ou mesmo de violência”, alerta o relatório."
Natália Faria, Publico de 28OUT14
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Gostei de ler
A mulher empoleirada no banco
«A mulher está empoleirada numa cadeira alta, que mais parece um banco de bar, atrás de um balcão diminuto. Veste um fato preto, sóbrio e elegante, e sorri enquanto atende os clientes que vão entrando e que não têm sequer espaço para pousar a pasta ou o saco de mão em cima do exíguo pedaço de vidro que faz as vezes de balcão. Os homens pousam a pasta no chão, penduram o guarda-chuva no pescoço, dobram o impermeável no braço e apertam o computador entre as pernas. As mulheres hesitam mas ficam com tudo nos braços, casaco, guarda-chuva, mala, saco do computador, mochila, sacos de compras, lancheira.
A cena passa-se numa dependência da CGD, mas podia ser noutro banco porque são todos iguais. Tudo parece ter sido estudado para colocar o cliente numa situação de incomodidade e precariedade, para o obrigar a despachar-se rapidamente e não ocupar o tempo precioso da funcionária que atende. É a mesma função da música aos berros nos fast food. O objectivo é afugentar rapidamente o cliente para acelerar a rotação e poder reduzir o número de trabalhadores ao mínimo.
O minibalcão à entrada, em vez de uma secretária com uma recepcionista, foi invenção de um génio da produtividade. A funcionária ocupa assim apenas meio metro quadrado, em vez dos três metros que ocuparia se tivesse um posto de trabalho confortável. É só poupança. O génio da produtividade esfrega as mãos de contente. Subliminarmente, o desconforto do trabalhador também lhe transmite a mensagem de que a sua situação profissional é, como a sua posição física, instável, e que a sua pessoa é, como o espaço que lhe concedem, insignificante.
Penso em quanto tempo aguentaria eu a trabalhar neste posto, naquela exposição total, frente à porta, naquele desamparo, empoleirado naquele inóspito minibalcão de vidro. Não há o mínimo espaço pessoal, não há nada pessoal naquele espaço nem pode haver, por imperativo físico. Por baixo do balcão, há prateleiras a transbordar de impressos, e é tudo. Onde guardará esta empregada o casaco, o chapéu de chuva, a carteira, os sacos de compras, o livro que está a ler, os desenhos dos filhos, as fotografia das férias, as mil e uma coisas com que os trabalhadores tornam seu o espaço de trabalho? Imagino que deve ter, por trás das portas de vidro fechadas aos clientes, um canto para tudo isso, um cabide, um cacifo. Houve um tempo em que os operários eram tratados assim mas não os empregados dos serviços. Nos escritórios, os trabalhadores detinham algum controlo sobre o seu local de trabalho, podiam humanizar o seu espaço. Agora são todos proletários. E o local de trabalho é apenas mais uma peça da máquina que se quer oleada e estéril, um local onde encaixa outra peça chamada “o colaborador”. E encaixa à justa.
Na dependência do BCP onde entro a seguir também há um minibalcão à entrada. E, a poucos metros, há uma série de cubículos com separadores de vidro, com secretárias, mas todos tão impessoais como o balcão da entrada. Os cubículos proporcionam a mesma privacidade que uma camarata, mas o sigilo bancário é algo com que os bancos apenas se preocupam em relação aos grandes clientes e esses nunca se sentam nos cubículos de vidro. As secretárias estão desprovidas de qualquer toque pessoal para poderem ser usadas rotativamente por diferentes funcionários. É como o sistema de “cama quente” na Marinha. Três marinheiros a fazer turnos só precisam de uma cama. Nos barcos é por falta de espaço, aqui é para poupar dinheiro. Tudo foi pensado para deixar bem claro aos trabalhadores que não pertencem aqui e que nada do que aqui está lhes pertence. Para deixar claro que, quando se forem, outros, quaisquer outros, absolutamente igual a eles, os irão substituir, usando as mesmas secretárias, as mesmas cadeiras, as mesmas frases para garantir aos clientes que irão “propor-lhes a solução que melhor se adapta ao seu caso pessoal”.
Na Clínica da Luz há pior: ao lado dos amplos corredores e dos enormes e confortáveis espaços de espera para clientes e famílias, há “postos de trabalho” encostados às paredes dos corredores que são como minibalcões como os dos bancos mas sem o banco de bar. Os “colaboradores” têm de aguentar as horas de trabalho de pé. É verdade que têm o grato prazer de trabalhar para a Espírito Santo Saúde, uma empresa disputada no mercado, mas deve ser duro para as costas. E isto é o que acontece à frente dos nossos olhos nas “grandes empresas”.
Há muito pior. Há os “seguranças” que passam dias e noites num cubículo sem condições, gelado no Inverno e um forno no Verão, sem uma casa de banho, ao pé de uma cancela, verificando nomes e matrículas 24 horas por dia. Muitas vezes em empresas que se gabam da forma como cuidam dos seus “colaboradores”. É que estes não são “colaboradores” deles. São “colaboradores” de uma empresa subcontratada e por isso a grande empresa pode negar toda a responsabilidade pelas condições de trabalho. E há pior. Há sempre pior.
O empobrecimento e o desemprego multiplicaram estas condições degradantes. Afinal, o desemprego é ainda pior. É assim que se desce o “custo unitário do trabalho”. As empresas chamam-lhe “redução de custos”, “rentabilização”. Mas é só desumanidade.»
José Vítor Malheiros, in Publico
«A mulher está empoleirada numa cadeira alta, que mais parece um banco de bar, atrás de um balcão diminuto. Veste um fato preto, sóbrio e elegante, e sorri enquanto atende os clientes que vão entrando e que não têm sequer espaço para pousar a pasta ou o saco de mão em cima do exíguo pedaço de vidro que faz as vezes de balcão. Os homens pousam a pasta no chão, penduram o guarda-chuva no pescoço, dobram o impermeável no braço e apertam o computador entre as pernas. As mulheres hesitam mas ficam com tudo nos braços, casaco, guarda-chuva, mala, saco do computador, mochila, sacos de compras, lancheira.
A cena passa-se numa dependência da CGD, mas podia ser noutro banco porque são todos iguais. Tudo parece ter sido estudado para colocar o cliente numa situação de incomodidade e precariedade, para o obrigar a despachar-se rapidamente e não ocupar o tempo precioso da funcionária que atende. É a mesma função da música aos berros nos fast food. O objectivo é afugentar rapidamente o cliente para acelerar a rotação e poder reduzir o número de trabalhadores ao mínimo.
O minibalcão à entrada, em vez de uma secretária com uma recepcionista, foi invenção de um génio da produtividade. A funcionária ocupa assim apenas meio metro quadrado, em vez dos três metros que ocuparia se tivesse um posto de trabalho confortável. É só poupança. O génio da produtividade esfrega as mãos de contente. Subliminarmente, o desconforto do trabalhador também lhe transmite a mensagem de que a sua situação profissional é, como a sua posição física, instável, e que a sua pessoa é, como o espaço que lhe concedem, insignificante.
Penso em quanto tempo aguentaria eu a trabalhar neste posto, naquela exposição total, frente à porta, naquele desamparo, empoleirado naquele inóspito minibalcão de vidro. Não há o mínimo espaço pessoal, não há nada pessoal naquele espaço nem pode haver, por imperativo físico. Por baixo do balcão, há prateleiras a transbordar de impressos, e é tudo. Onde guardará esta empregada o casaco, o chapéu de chuva, a carteira, os sacos de compras, o livro que está a ler, os desenhos dos filhos, as fotografia das férias, as mil e uma coisas com que os trabalhadores tornam seu o espaço de trabalho? Imagino que deve ter, por trás das portas de vidro fechadas aos clientes, um canto para tudo isso, um cabide, um cacifo. Houve um tempo em que os operários eram tratados assim mas não os empregados dos serviços. Nos escritórios, os trabalhadores detinham algum controlo sobre o seu local de trabalho, podiam humanizar o seu espaço. Agora são todos proletários. E o local de trabalho é apenas mais uma peça da máquina que se quer oleada e estéril, um local onde encaixa outra peça chamada “o colaborador”. E encaixa à justa.
Na dependência do BCP onde entro a seguir também há um minibalcão à entrada. E, a poucos metros, há uma série de cubículos com separadores de vidro, com secretárias, mas todos tão impessoais como o balcão da entrada. Os cubículos proporcionam a mesma privacidade que uma camarata, mas o sigilo bancário é algo com que os bancos apenas se preocupam em relação aos grandes clientes e esses nunca se sentam nos cubículos de vidro. As secretárias estão desprovidas de qualquer toque pessoal para poderem ser usadas rotativamente por diferentes funcionários. É como o sistema de “cama quente” na Marinha. Três marinheiros a fazer turnos só precisam de uma cama. Nos barcos é por falta de espaço, aqui é para poupar dinheiro. Tudo foi pensado para deixar bem claro aos trabalhadores que não pertencem aqui e que nada do que aqui está lhes pertence. Para deixar claro que, quando se forem, outros, quaisquer outros, absolutamente igual a eles, os irão substituir, usando as mesmas secretárias, as mesmas cadeiras, as mesmas frases para garantir aos clientes que irão “propor-lhes a solução que melhor se adapta ao seu caso pessoal”.
Na Clínica da Luz há pior: ao lado dos amplos corredores e dos enormes e confortáveis espaços de espera para clientes e famílias, há “postos de trabalho” encostados às paredes dos corredores que são como minibalcões como os dos bancos mas sem o banco de bar. Os “colaboradores” têm de aguentar as horas de trabalho de pé. É verdade que têm o grato prazer de trabalhar para a Espírito Santo Saúde, uma empresa disputada no mercado, mas deve ser duro para as costas. E isto é o que acontece à frente dos nossos olhos nas “grandes empresas”.
Há muito pior. Há os “seguranças” que passam dias e noites num cubículo sem condições, gelado no Inverno e um forno no Verão, sem uma casa de banho, ao pé de uma cancela, verificando nomes e matrículas 24 horas por dia. Muitas vezes em empresas que se gabam da forma como cuidam dos seus “colaboradores”. É que estes não são “colaboradores” deles. São “colaboradores” de uma empresa subcontratada e por isso a grande empresa pode negar toda a responsabilidade pelas condições de trabalho. E há pior. Há sempre pior.
O empobrecimento e o desemprego multiplicaram estas condições degradantes. Afinal, o desemprego é ainda pior. É assim que se desce o “custo unitário do trabalho”. As empresas chamam-lhe “redução de custos”, “rentabilização”. Mas é só desumanidade.»
José Vítor Malheiros, in Publico
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Estes dizem-se socialistas...
As piadolas do Vitorino na
universidade de verão dos jotinhas do PSD foram de arromba. Fiquei preplexo ouvir
na TSF o este senhor na dita universidade num momento hilariantemente alavrve.
Para além da sua carreira de advogado (daqueles que de manhão estão no
consultorio a tramar o estado num caso, e á tarde estão no parlamento a defender
esse mesmo estado no mesmo caso), bem podia fazer uma perninha na stand-up
comedy.
Aqui outro exemplo do mesmo calibresegunda-feira, 1 de setembro de 2014
WW II - O inicio
1 de
Setembro de 1939; faz hoje 75 anos que começou o maior conflito armado da
historia da humanidade. O numero de mortos, os crimes cometidos e a destruição
de mais de 90% de um continente já foram demais debatidos em tantos estudos que
não vale a pena aqui mencionar. Mas importa mencionar sim é a ausencia de
memoria desta gente sem nada dentro das cabeças que têm governado a UE.
O que
se está a passar na Ucrania, é suficientemente revelador de como os nossos
governates adoram riscar fósforos enquanto abastecem os seus carros de
combustivel. Realmente o actual poder é
perigo porque não lê livros,
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
A Alemanha unida é um perigo para a Europa?
A posição
hegemónica que a Alemanha tem neste momento na Europa, merece uma reflexão. De
facto, não é de agora o seu “apetite” por uma posição hegemónica na Europa, que
é demonstrado se recuarmos um pouco no tempo.
Tendo em conta as circunstancias desta
vontade teutónica de tentar influenciar os destinos do Velho Continente de
acordo com os seus interesses, é coisa que já vem muito de trás, mas por
questão de espaço, partimos de 1870, ano em que se inicia o processo de
unificação levado a cabo por Bismark (e concluído em 1871). Esta Alemanha que
saiu deste processo, unida e industrializada, rapidamente ultrapassa a
Inglaterra como líder da Revolução Industrial, criando assim as bases para se
tornar numa potência militar forte.
Todos sabemos no que tudo isto deu; a
guerra franco-prussiana (1870-71), as acções de agressão expansionista em
África contra a presença de outras potências coloniais, a as duas guerras
mundiais, e as duas grandes guerras mundiais. Este filme não deixou saudades
entre os que o viram e sentiram.
Perante toda esta memória, o estrago que
as panzerdivisions[1] da führer
Merkel têm feito na EU em geral, e nos países da “gente calaceira do sul”[2],
deixa muita gente preocupada. A maneira como Merkel, o reichfüher
Schäuble, e o gaulaiter Olli Rehn falam sobre os “sub-homens o sul”,
faz-nos ter as piores ideias. Tudo se repete, inclusive a maneira imperial com
que os alemães impõem a sua agenda em Bruxelas Será esta a nova versão da
“Solução Final”?
Começamos a ver a Alemanha como um perigo
para a estabilidade da Europa. Desde a sua unificação logo após a queda do muro
de Berlim, a Alemanha começa a construir a sua hegemonia na EU. Tal como
anteriormente, uma vez em bloco, os seus apetites imperiais são insaciáveis e
desestabilizadores. Miterrand tendo isto em conta, e respondendo a uma pergunta
sobre a Alemanha, afirmou lucidamente; “Gosto tanto da Alemanha que até quero
que haja duas”.
A Alemanha dividida pela “Cortina de
Ferro”, foi pacífica, solidária e cooperante, tornando-se no Estado-Modelo
social-democrata[3]. Também é verdade que o
xenofobismo não tinha sido completamente estripado da sociedade – embora
existisse de forma envergonhada é certo[4] –
testemunhado por algum desprezo para com os emigrantes, esses sim, os grandes
braços de trabalho do mito da recuperação do pós- guerra.
E
hoje o que é a Alemanha? O motor da Europa[5] ou a pátria
do mais reaccionário e perigoso nacionalismo do continente europeu? São
perguntas que analisaremos mais tarde.
[1] A mais importante chama-se
Deutsche Bank.
[2] Frase muito utilizada na
terminologia técnica teutónica, também muito praticada pelos colaboracionistas cá
do burgo.
[3] Embora imposto pelo povo
alemão, foi Bismarck que implementou o primeiro estado-social da historia das
civilizações.
[4] Auschwitz ainda pesava
muito na mente dos alemães.
[5] Este motor já começa a ter
alguns problemas no turbo.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Os "bons", os maus, e quem são os vilãos?
Parece que "afinal havia outra"!!!
A ser verdade (parece que as provas são muito evidentes), como vão a Führer Merkel e o Omama descartar esta, quão lestos foram em acusar o ditador Pudim?
Já vimos coisa parecida em 2003, quando a tal "coligação dos Açores" invadiu o Iraque por causa de armas quimicas, que afinal eram latas de Baygon Casa e Plantas fora de prazo.
Evidence Is Now Conclusive: Two Ukrainian Government Fighter-Jets Shot Down Malaysian Airlines MH17. It was Not a ‘Buk’ Surface to Air Missile
Fotos dos destroços do MH17 revelam que foi bombardeado por “caças”
First Examination of Malaysian MH-17 Cockpit Photo Shows Ukraine Government Shot that Plane Down
A ser verdade (parece que as provas são muito evidentes), como vão a Führer Merkel e o Omama descartar esta, quão lestos foram em acusar o ditador Pudim?
Já vimos coisa parecida em 2003, quando a tal "coligação dos Açores" invadiu o Iraque por causa de armas quimicas, que afinal eram latas de Baygon Casa e Plantas fora de prazo.
Evidence Is Now Conclusive: Two Ukrainian Government Fighter-Jets Shot Down Malaysian Airlines MH17. It was Not a ‘Buk’ Surface to Air Missile
Fotos dos destroços do MH17 revelam que foi bombardeado por “caças”
First Examination of Malaysian MH-17 Cockpit Photo Shows Ukraine Government Shot that Plane Down
Hiroxima
Por falta de tempo, não assinalei ontem uma efemeride, seguramente uma das mais importantes da historia da humanidade: o lançamento da primeira bomba atómica.
Fez ontem 69 anos que a humanidade decobriu que pode ser auto-extinta numa questão de segundos. Consequentente, tendo consciencia disso, também descobriu que pode haver entendimentos para evitar a chamada "destruição massiva". Durante a Guerra Fria, os canais de comunicação entre os dois blocos funcionaram nesta logica, evitando assim a hecatombe nuclear.
Hoje estamos perante outra eminente hecatombe, mas com outro tipo de armamento de destruição massiva: o neoliberalismo. Sem os canais de outrora e sem qualquer controlo, esta arma tem provocado o caos e a desgraça em todo o mundo. A sua acção ainda não sabemos que consequências terá, porque o processo ainda está em desenvolvimento. Espero que seja travada imediatamente, porque ainda há tempo de atenuar o longo inverno neoliberal.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Efemérides
28 de Julho de 1914. Faz hoje 100 anos que estalou a I Guerra Mundial, a "guerra que iria acabar com todas as guerras". Um dia de reflexão para a Europa, hoje muito esquecida destas coisas. Uma reflexão cada vez mais pertinente.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
O Inicio
Começa a partir de hoje a minha actividade enquanto blogger. Nesta pagina, falarei de Historia, da actualidade e da ligação entre ambas, pois não se compreende a actualidade sem fazer visitas aos baús da Historia. Dentro deste contexto, claro que a politica e o que se passa no mundo e neste país em particular serão sempre temas-chave. Espero que quem o leia goste, pois uma coisa é certa: o que se escrever neste blogue, será escrito de boa fé.
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