segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Alemanha unida é um perigo para a Europa?

     A posição hegemónica que a Alemanha tem neste momento na Europa, merece uma reflexão. De facto, não é de agora o seu “apetite” por uma posição hegemónica na Europa, que é demonstrado se recuarmos um pouco no tempo.
     Tendo em conta as circunstancias desta vontade teutónica de tentar influenciar os destinos do Velho Continente de acordo com os seus interesses, é coisa que já vem muito de trás, mas por questão de espaço, partimos de 1870, ano em que se inicia o processo de unificação levado a cabo por Bismark (e concluído em 1871). Esta Alemanha que saiu deste processo, unida e industrializada, rapidamente ultrapassa a Inglaterra como líder da Revolução Industrial, criando assim as bases para se tornar numa potência militar forte.
     Todos sabemos no que tudo isto deu; a guerra franco-prussiana (1870-71), as acções de agressão expansionista em África contra a presença de outras potências coloniais, a as duas guerras mundiais, e as duas grandes guerras mundiais. Este filme não deixou saudades entre os que o viram e sentiram.
     Perante toda esta memória, o estrago que as panzerdivisions[1] da führer Merkel têm feito na EU em geral, e nos países da “gente calaceira do sul”[2], deixa muita gente preocupada. A maneira como Merkel, o reichfüher Schäuble, e o gaulaiter Olli Rehn falam sobre os “sub-homens o sul”, faz-nos ter as piores ideias. Tudo se repete, inclusive a maneira imperial com que os alemães impõem a sua agenda em Bruxelas Será esta a nova versão da “Solução Final”?
     Começamos a ver a Alemanha como um perigo para a estabilidade da Europa. Desde a sua unificação logo após a queda do muro de Berlim, a Alemanha começa a construir a sua hegemonia na EU. Tal como anteriormente, uma vez em bloco, os seus apetites imperiais são insaciáveis e desestabilizadores. Miterrand tendo isto em conta, e respondendo a uma pergunta sobre a Alemanha, afirmou lucidamente; “Gosto tanto da Alemanha que até quero que haja duas”.
     A Alemanha dividida pela “Cortina de Ferro”, foi pacífica, solidária e cooperante, tornando-se no Estado-Modelo social-democrata[3]. Também é verdade que o xenofobismo não tinha sido completamente estripado da sociedade – embora existisse de forma envergonhada é certo[4] – testemunhado por algum desprezo para com os emigrantes, esses sim, os grandes braços de trabalho do mito da recuperação do pós- guerra.
     E hoje o que é a Alemanha? O motor da Europa[5] ou a pátria do mais reaccionário e perigoso nacionalismo do continente europeu? São perguntas que analisaremos mais tarde.




[1] A mais importante chama-se Deutsche Bank.

[2] Frase muito utilizada na terminologia técnica teutónica, também muito praticada pelos colaboracionistas cá do burgo.

[3] Embora imposto pelo povo alemão, foi Bismarck que implementou o primeiro estado-social da historia das civilizações.

[4] Auschwitz ainda pesava muito na mente dos alemães.

[5] Este motor já começa a ter alguns problemas no turbo.

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