A posição
hegemónica que a Alemanha tem neste momento na Europa, merece uma reflexão. De
facto, não é de agora o seu “apetite” por uma posição hegemónica na Europa, que
é demonstrado se recuarmos um pouco no tempo.
Tendo em conta as circunstancias desta
vontade teutónica de tentar influenciar os destinos do Velho Continente de
acordo com os seus interesses, é coisa que já vem muito de trás, mas por
questão de espaço, partimos de 1870, ano em que se inicia o processo de
unificação levado a cabo por Bismark (e concluído em 1871). Esta Alemanha que
saiu deste processo, unida e industrializada, rapidamente ultrapassa a
Inglaterra como líder da Revolução Industrial, criando assim as bases para se
tornar numa potência militar forte.
Todos sabemos no que tudo isto deu; a
guerra franco-prussiana (1870-71), as acções de agressão expansionista em
África contra a presença de outras potências coloniais, a as duas guerras
mundiais, e as duas grandes guerras mundiais. Este filme não deixou saudades
entre os que o viram e sentiram.
Perante toda esta memória, o estrago que
as panzerdivisions[1] da führer
Merkel têm feito na EU em geral, e nos países da “gente calaceira do sul”[2],
deixa muita gente preocupada. A maneira como Merkel, o reichfüher
Schäuble, e o gaulaiter Olli Rehn falam sobre os “sub-homens o sul”,
faz-nos ter as piores ideias. Tudo se repete, inclusive a maneira imperial com
que os alemães impõem a sua agenda em Bruxelas Será esta a nova versão da
“Solução Final”?
Começamos a ver a Alemanha como um perigo
para a estabilidade da Europa. Desde a sua unificação logo após a queda do muro
de Berlim, a Alemanha começa a construir a sua hegemonia na EU. Tal como
anteriormente, uma vez em bloco, os seus apetites imperiais são insaciáveis e
desestabilizadores. Miterrand tendo isto em conta, e respondendo a uma pergunta
sobre a Alemanha, afirmou lucidamente; “Gosto tanto da Alemanha que até quero
que haja duas”.
A Alemanha dividida pela “Cortina de
Ferro”, foi pacífica, solidária e cooperante, tornando-se no Estado-Modelo
social-democrata[3]. Também é verdade que o
xenofobismo não tinha sido completamente estripado da sociedade – embora
existisse de forma envergonhada é certo[4] –
testemunhado por algum desprezo para com os emigrantes, esses sim, os grandes
braços de trabalho do mito da recuperação do pós- guerra.
E
hoje o que é a Alemanha? O motor da Europa[5] ou a pátria
do mais reaccionário e perigoso nacionalismo do continente europeu? São
perguntas que analisaremos mais tarde.
[1] A mais importante chama-se
Deutsche Bank.
[2] Frase muito utilizada na
terminologia técnica teutónica, também muito praticada pelos colaboracionistas cá
do burgo.
[3] Embora imposto pelo povo
alemão, foi Bismarck que implementou o primeiro estado-social da historia das
civilizações.
[4] Auschwitz ainda pesava
muito na mente dos alemães.
[5] Este motor já começa a ter
alguns problemas no turbo.
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